Um dos meus colegas de trabalho está em serviço, sabe que saí do hotel para ir ao supermercado e liga-me a pedir para levar baton de cieiro, porque tem uma entrevista para fazer, vai ter de editar a reportagem e não tem tempo para mais nada. Procuro o baton no supermercado, sem sorte. Pago a conta, a senhora da caixa fala comigo como se eu fosse grego, nunca se apercebe que não sou porque estou sempre calado a acenar com a cabeça e porque só falo para dizer Yassas (olá) e para depois me despedir e dizer Kalimera (bom dia).
No caminho de regresso ao hotel, encontro uma farmácia e resolvo entrar para pedir o baton do cieiro. Nesse instante o meu colega de trabalho volta a ligar e diz-me a marca do baton que precisa: Liposan. Entro mais contente na farmácia, convencido que será tudo mais simples. Soletro a palavra ao fazer o pedido: Li-po-san. A senhora atrás do balcão pergunta-me de novo o que quero, porque não está a entender o pedido. Soletro de novo, com uma pronúncia a fugir ligeiramente para o inglês: Li-pou-zen. Ela continua a não compreender. Eu digo lipstick e faço um gesto circular com o indicador direito sobre a boca. Ela aponta para um cesto de vime, num armário onde estão vinte ou trinta batons diferentes. Vejo um azul com letras brancas a dizer Liposan. Primeiro aponto, depois pego nele, mostro-lhe e digo feliz da vida em português soletrado: Li-po-san. Ela, convicta do seu argumento, responde-me: "No, no! it´s Lai-pi-xune." E volta a dizer: "Lai-pi-xune", para que eu ficasse sem dúvidas.
Custou um euro e trinta cêntimos este bocado de conversa. Foi um belíssimo investimento, apesar de não ter sido para mim.
MOURINHO? SIM! AMORIM? NÃO!
Há 4 horas
2 comentários:
:) a comunicação é mesmo importante*
Os gregos são mesmo assim. Brutinhos, mas boas pessoas. E sabem de tudo, só nunca conseguem explicar nada. Faças o que fizeres, nem te atrevas a pedir indicações na rua. Dez gregos diferentes apontar-te-ão em dez direcções diferentes... eheheh
Beijinhos, Toni.
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