quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Baton

Um dos meus colegas de trabalho está em serviço, sabe que saí do hotel para ir ao supermercado e liga-me a pedir para levar baton de cieiro, porque tem uma entrevista para fazer, vai ter de editar a reportagem e não tem tempo para mais nada. Procuro o baton no supermercado, sem sorte. Pago a conta, a senhora da caixa fala comigo como se eu fosse grego, nunca se apercebe que não sou porque estou sempre calado a acenar com a cabeça e porque só falo para dizer Yassas (olá) e para depois me despedir e dizer Kalimera (bom dia).

No caminho de regresso ao hotel, encontro uma farmácia e resolvo entrar para pedir o baton do cieiro. Nesse instante o meu colega de trabalho volta a ligar e diz-me a marca do baton que precisa: Liposan. Entro mais contente na farmácia, convencido que será tudo mais simples. Soletro a palavra ao fazer o pedido: Li-po-san. A senhora atrás do balcão pergunta-me de novo o que quero, porque não está a entender o pedido. Soletro de novo, com uma pronúncia a fugir ligeiramente para o inglês: Li-pou-zen. Ela continua a não compreender. Eu digo lipstick e faço um gesto circular com o indicador direito sobre a boca. Ela aponta para um cesto de vime, num armário onde estão vinte ou trinta batons diferentes. Vejo um azul com letras brancas a dizer Liposan. Primeiro aponto, depois pego nele, mostro-lhe e digo feliz da vida em português soletrado: Li-po-san. Ela, convicta do seu argumento, responde-me: "No, no! it´s Lai-pi-xune." E volta a dizer: "Lai-pi-xune", para que eu ficasse sem dúvidas.
Custou um euro e trinta cêntimos este bocado de conversa. Foi um belíssimo investimento, apesar de não ter sido para mim.

Acontece em Salónica

Não sou muito de estranhar a diferença. Também não sou muito de a entranhar. Observo, aceito ou não, compreendendo ou não, e por norma sigo o meu caminho. Desta vez tenho parado para pensar numa diferença particular. Aconteceu na minha última viagem à Grécia, em Salónica.
Comecei por ver um carro estacionado sem matrícula. Estranhei, porque o carro era recente, e não estando lavado - como não está nenhum carro lavado em Salónica - era um carro de modelo recente. No dia seguinte viu um e mais outro, também sem matrícula, todos estacionados. Nas horas seguintes vi um e mais outro e mais outro e mais outro em circulação. E enquanto caminhava, abrigado da chuva na avenida do meu hotel, vi ainda outros sem matrícula a circularem mesmo ao lado de um carro da polícia. E vi outros assim a passarem como se nada fosse em tangentes aos sinaleiros. Pensei nisso de vez em quando durante o passeio matinal.

Regressei ao hotel, voltei ao trabalho e não pensei mais no assunto.
No dia seguinte, quase na hora da conferência de imprensa do Sp. de Braga, enquanto conversava com a Cristina, uma portuguesa de Coimbra que está em Salónica há oito anos e que iria traduzir para grego as palavras do Manuel Machado, voltei outra vez a pensar nos carros sem matrícula. Apresentei-lhe a estranheza que eu não conseguia entranhar. Ela sorriu e explicou. Na Grécia, a polícia não passa multas de trânsito. Retira as matrículas dos carros. Quando os condutores forem pagar a coima, as matrículas são devolvidas.
Este sistema está optimizado ao limite. Os agentes têm uma chave própria para desapertar os parafusos específicos de borracha. Pior sorte teve a Cristina há uns anos atrás, mal tinha acabado de chegar com o carro português. Os rebites da matrícula não encaixavam nas chaves dos agentes e as placas foram arrancadas à força, deixando mossas, leia-se buracos, na chapa.

Voltei a falar com a Cristina no dia do jogo Aris de Salónica - Sp.Braga. Esqueci-me de lhe perguntar se ela traduziu à letra para grego, o que diz Manuel Machado.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

José Peseiro

Atenas - José está numa reunião com o pessoal da estatística. Somos muito bem recebidos pelo Eduardinho, treinador adjunto do Panathinaikos. Faz uma visita guiada pelo centro de treinos, que já tem mais de 20 anos. Conhecemos todos os cantos á casa: os quartos de jogadores e treinadores, a sala de lazer, o restaurante -onde encontramos o Velic a almoçar-, a sala de palestras e o espaço onde os mais jovens passam o tempo livre a jogar PlayStation.

Peseiro vem ao nosso encontro e trata de nos dar a conhecer tudo o que existe ao ar livre. Vamos matando saudades de Portugal enquanto percorremos todos os campos de treino. Falamos do nosso campeonato - em particular do empate do Sporting na véspera - e do campeonato dele.

A entrevista é feita ao lado de campo de treinos principal. Está um dia sol e conversa decorre num espaço verde com árvores em fundo. José Peseiro saiu de Portugal com a imagem "cansada". Tem essa noção e recusou uma oferta de um clube português. Escolheu o Panathinaikos porque quer jogar sempre para ganhar, diz-nos.

Fica contente por ver uma mudança no Sporting. Concorda. Refere que os treinadores devem ser protegidos pelo clubes. Quando a entrevista vai na direcção da campanha de apuramento da selecção portuguesa, Peseiro revela uma objectivo de carreira. Quer ser seleccionador de Portugal, uma dia mais tarde.

Sobre o nosso campeonato diz-nos que o Fc do Porto ganha mais vezes porque é muito melhor do que o Benfica ou o Sporting. E diz também que os rivais de Lisboa só vão fazer frente ao Porto quando souberem aceitar esse facto.

A nova bola UEFA

Atenas - Chegamos a Piania, localidade onde fica o centro de treinos do Panathinaikos, no mesmo dia em que a nova bola da UEFA foi "apresentada" ao Panathinaikos. Os guarda-redes torcem o nariz, apesar da nova textura, que parece permitir segurá-la melhor. Dizem que esta nova bola chega à baliza ainda com mais efeito. Cá está a nova bola UEFA, obrigatória a partir de hoje.
PS: O José Peseiro deu-nos uma entrevista com substância. Para ver aqui (BDF) amanhã. E em Portugal também.