quinta-feira, 10 de julho de 2008

Senhor Blatter,


[ainda a propósito de Cristiano Ronaldo]

Diga-nos, encarecidamente, como pode ser aplicado o termo escravatura, ainda que em forma de metáfora, a alguma pessoa cujo rendimento mensal ronda o milhão de euros? Sim, nós sabemos que o senhor utilizou a expressão escravatura moderna, mas nem o qualificativo, em forma de apêndice, limpa uma imagem infeliz causada pelas suas palavras. Se o senhor não sabe, devia saber, que o Cristiano Ronaldo não está "obrigado" no Manchester United. Assinou de livre vontade um contrato de "x" épocas com o clube inglês, contrato esse melhorado substancialmente ano após ano devido ao talento, ao crescimento e ao mérito pessoal do jogador internacional português. Se Ronaldo quer mesmo sair de Manchester, que o diga cara-a-cara aos responsáveis do clube. Que lhes diga também para onde quer ir. E que aguarde depois pela negociação entre os clubes, onde será estabelecido um valor para a transferência. É certo que este Manchester United deve muito ao futebol de Cristiano Ronaldo; mas o inverso também se aplica neste caso com toda a justiça: Ronaldo não seria o jogador que é hoje se não tivesse passado os últimos cinco anos no balneário de Alex Ferguson, principalmente, mas também de Carlos Queirós, Ryan Giggs, Paul Scholes, van Nistelrooy ou mesmo de Roy Keane.

Senhor Blatter, não se desleixe assim tanto com as palavras nem embarque num facilitismo oratório de conversa de café. Escravatura moderna é trabalhar 40 horas por semana e receber um ordenado de 400 euros mensais. Experimente. Vai ver que tenho razão.


Sem mais, por agora, aceite os meus sinceros cumprimentos

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