sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Gente virtual com salários reais?

Esta cisma já tem algum tempo. Vem do dia em que o Vitória de Guimarães contratou Kamel Ghilas. O nome não era estranho: Nada mesmo. Aliás, veio-me à ideia como uma coisa fresca, apesar de ser um nome ouvido pela última vez dois anos antes. Foi num jogo de computador, quando treinava o Cannes. Ghilas era um miúdo com 17 ou 18 anos. Tinha índices elevados em alguns parâmetros contabilizados de zero a vinte. Com a utilização constante, ao fim duas épocas no ChampionshipManager, Ghilas evoluía muito, tornava-se num grande número 10 e o Cannes recebia propostas de Lyon, PSG, Real Madrid ou Barcelona.

Um pouco antes, ou um pouco depois, apareceu mais um nome nada estranho no futebol português. Veio para o Sporting. Chama-se Romangoli. No ChampionshipManage, Romagnoli era um criativo de mão cheia. Técnica elevada, drible, passe e remate também. Tinha um pequeno senão: franzino,era muito dado a lesões. Passava boa parte da época no estaleiro. Este pormenor deve ter escapado ao crivo de Alvalade.



Sabem quem era o terror dos guarda-redes nessa edição do Championship Manager? Roncatto, Evandro Roncatto. Jogava no Guarani. Nota 20 no remate à baliza com pé esquerdo, velocidade 18, técnica 16, força 19. São números para impressionar qualquer manager de trazer por casa. E não para seduzir departamentos profissionais de futebol. Na vida real, Roncatto está no Belenenses. Penso que marcou um golo em toda a primeira volta.

Last, but not least: Tiuí. Quem?, perguntará o português comum. Rodrigo Tiuí, avançado bem jovem dos tempos de Championship Manager. Jogador baratinho do Fluminense e com margem de progressão alargada. Utilizado aqui e ali, ao fim duas épocas estava um senhor avançado no campeonato português. Marcava 20 golos sem grandes dificuldades. Mas isso era num jogo de computador. No mundo real, marcou 3 golitos no último Brasileirão.

Deixei aqui quatro exemplos. Podia dar mais. Não acho necessário. estas quatro coincidências levam-me a imaginar dirigentes profissionais a brincar ao futebol. Fechados em gabinetes. Sentados ao computador, como quem trabalha. Bem longe da relva. Mas não. Isto no futebol português é impossível. Ninguém se faz passar assim por entendido na matéria.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

E respirar, posso?

É proibido fumar em quase todos os espaços fechados. É proibido circular a mais de 30 km/h dentro das localidades. É proibido ter colheres de pau na cozinha. É proibido vender bolinhos de bacalhau, croquetes, rissóis ou bolos caseiros. E respirar, posso?

George Lucas

Projecto, a partir de hoje, vidas cujo nome podia dar um filme. Tem tudo a ver com futebol com se verá no imediato. Começo afirmações peremptórias e verdadeiras, apesar de não parecerem: George Lucas tem 23 anos. George Lucas nasceu no Brasil. George Lucas tem hoje em dia nacionalidade espanhola.
George Lucas não é realizador de cinema. Este George Lucas é jogador de futebol. É lateral direito do Celta de Vigo. Não será dos melhores na projecção de um qualquer episódio da Liga espanhola. Também não é dos piores. Começou a carreira no Grémio de Portalegre e no Brasil jogou ainda no Atlético Mineiro.


Errar por sistema

Vamos a Alvalade nesta primeira incursão ao futebol futebol da primeira liga.
É Paulo Bento o treinador que mais vezes falha na construção do 11 inicial. É Paulo Bento o treinador que mais depressa vai ao banco para mudar. Porque por norma sofre o primeiro golo. Porque deixa logo de acreditar na equipa que preparou durante a semana e muda tudo numa questão de minutos. Quer-me paracer desespero. Haverá quem contraponha com risco. Prefiro a primeira escolha ainda assim.
Quando muda em desespero, ao fim do primeiro golo sofrido, o Sporting passa a jogar com 3 defesas. Paulo Bento já tentou este sistema vezes sem conta. Este sistema nunca deu a volta a um resultado negativo. Pelo contrário, este sistema de 3 defesas, no Sporting, quando utilizado, não raras vezes fez disparar o score desfavorável. Voltou a ser assim no último fim-de-semana. E Paulo Bento, em vez de emendar a mão, não. Prefere continuar a errar por sistema.